ESPELHO, ESPELHO MEU!

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JOGO TERAPÊUTICO - AUTOESTIMA E AUTOIMAGEM

DESCRIÇÃO

Espelho, espelho meu é um jogo terapêutico de adivinhação de imagens de animais, que trabalha a autoimagem, autoestima e autoconsciência dos jogadores. A cada rodada, um novo jogador terá que escolher 3, entre as 65 cartas de animais, para responder uma das perguntas do espelho e tentar enganar seus adversários, sendo que entre as 3 cartas apenas 1 é a resposta correta. E aí, qual animal será o seu??

Número de jogadores: 2 a 4.

 

Idade: a partir de 3 anos.


Componentes:

35 - cartas (crianças até 8 anos).

30 - cartas (acima de 8 anos).

1 - tabuleiro-espelho.

50 - contadores.

 

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Espelho, espelho meu é um jogo que estimula o autoconhecimento e a percepção da autoimagem por meio de debates em que os jogadores exercitarão a construção narrativa de sua identidade, suas características e a dos outros jogadores.

Esse processo auxilia muito o trabalho terapêutico com crianças e adolescentes com dificuldades em construir narrativas sobre si próprio e os outros, além de contribuir para a construção do simbolismo do que se quer e do que não se quer para o futuro. Tudo isso será trabalhado na relação entre as imagens dos animais nas cartas e a forma com que cada um se percebe. 

Desta forma, se pretende estimular a percepção de três formas de autoimagem (autoimagem, a imagem que o jogador acha que os colegas têm dele e a imagem que acredita que a família tem sobre ele).  As imagens utilizadas são de animais e intencionam aflorar em cada um sentimento, experiências ou lembranças. Dessa forma, a escolha dos animais terá, para cada jogador, um significado único, que poderá ou não ser decifrado pelos outros.

Todo o processo de especulação e projeção sobre as imagens dos animais e sobre os outros jogadores, perpassa pela construção narrativa da identidade, isso é, interiorização das relações que me constituem como sujeito. Da mesma forma, a elaboração de um discurso sobre o outro e a recepção de uma narrativa sobre mim mesmo, gera um processo de conscientização acerca da minha identidade e de minhas experiências.

A representação de nossa experiência de vida é, portanto, uma narrativa, e nós utilizamos a narrativa como uma ferramenta, a fim de organizar nosso contato com o mundo em termos de uma experiência inteligível. (Vieira e Henriques, 2014)

Ao expressarmos nossas narrativas e colocá-las em contato com as do outro, podemos lapidá-la e aprimorá-la para que se aproxime da realidade ou mudar aspectos de nós mesmos que melhorem nossas relações sociais. Nesse processo, interiorizamos nossas relações sociais e fazemos delas nossas ferramentas de criação e verificação dos significados (Vieira e Henriques, 2014, p.3). Melhoramos assim, não apenas nossa interpretação do mundo, mas também de nós mesmos, afinal “A narrativa imita a vida, e a vida imita a narrativa” (Bruner, 1987 citado por Vieira e Henriques, 2014)

Por exemplo, quando uma criança escolhe uma imagem que representa a visão dela mesma naquele momento, e em seguida, ouve um discurso complemente oposto a sua visão, ela sente curiosidade para entender e esclarecer os aspectos destoantes da posição do outro. Nesse processo, ao ouvir relatos e argumentos, ela reflete sobre o que mostra aos outros, como observa a si própria e quais seus traços mais marcantes, construindo assim, a partir do outro, uma nova narrativa sobre si.

O desenvolvimento reflexivo e discursivo sobre si e sobre o outro é uma base central em qualquer trabalho de clínica psicológica, e aqui, é trabalhado como um jogo de adivinhação. Sendo extremamente completo em matéria de autoimagem e suas facetas, Espelho, Espelho Meu é um material para ser utilizado com todas as idades, em família e com colegas, proporcionando sempre o autoconhecimento, a diversão e o respeito entre os jogadores.

MODOS DE UTILIZAÇÃO TERAPÊUTICA

  1. TERAPIAS INDIVIDUAS E EM GRUPO

Em um grupo de crianças, o mais importante é que discutam suas impressões, questionando ou defendendo suas escolhas e estando atento a de seus colegas. E isso só será possível se houver respeito e abertura para o entendimento na fala de cada um.  O terapeuta deve valorizar os questionamentos, a fim de compreender o motivo da escolha ou não de determinada carta (animal). Também é importante que os jogadores compreendam a diferença entre “Como eu me vejo neste momento?” – tema da primeira rodada – com mais outras duas cartas escolhidas que ajudarão os colegas a identificar a melhor resposta. Crianças menores deverão ser constantemente lembradas dessas escolhas, por não estarem acostumadas a pensar características por meio de imagens de animais.

Este jogo é voltado à percepção das impressões pessoais dos outros e não ao apontamento de qual animal cada jogador parece. Portanto, o acompanhamento do terapeuta é fundamental, de modo que possa explicar e questionar os participantes sobre as escolhas feitas, associando adjetivos com a imagem dos animais, por exemplo: o leão pode ser “forte” ou “corajoso”, o macaco pode ser “engraçado” ou “bagunceiro”, a preguiça pode ser “preguiçosa”, o gato com “acomodado” ou “antipático”, o cachorro com “leal” ou “divertido” etc.

O mais importante é a criatividade da criança em alinhar uma imagem da carta a um simbolismo que se manifeste e sirva de base para trabalhar a autoestima e a autoimagem. Bem como, desenvolver habilidades de argumentação respeitando os mais diferentes pontos de vista que podem ajudar cada um a se conhecer melhor e a entender quais as crenças estão por trás de cada pensamento e comportamento e, assim, poder modificar, se preciso for.

O jogo pode ser utilizado em uma etapa avançada, em que já existe familiaridade do paciente com o terapeuta ou entre os pacientes, quanto para os participantes se conhecerem. Caso os participantes não tenham proximidade, o jogo se baseará na curiosidade de uns com os outros.

No acompanhamento de atendimento a famílias, em que já se tenha um trabalho prévio, ou um vínculo firmado entre paciente e terapeuta, o jogo se torna mais profundo e reflexivo. Sendo o terapeuta um jogador, as impressões dele sobre si próprio também servem tanto para dar elementos ao paciente no trabalho com sua autoimagem quanto uma oportunidade de aprofundar o vínculo terapêutico.

Toda vez que o paciente revelar o animal para qualquer um dos espelhos é uma oportunidade para perguntar: “Como você se sente se vendo dessa forma?”, “Que vantagens e desvantagens têm esse animal?”, “Há outro animal com características parecidas com as suas?” etc. O terapeuta também deve falar sobre os animais que escolheu em cada espelho e seus motivos, abrindo possibilidade de identificação do paciente com ele. Ao final, o terapeuta pode escolher uma das atividades sugeridas no manual, conforme a continuidade do processo terapêutico pós jogo.

  1. FAMÍLIA

Quando jogado em família, o jogo Espelho, espelho meu pode melhorar a comunicação e o entendimento entre os membros de forma leve e divertida. A identificação das características nas escolhas dos animais, assim como suas justificativas, serve para a reflexão dos jogadores sobre como são percebidos.

Uma criança que se sente infantilizada, uma mãe que se sente diminuída, ou um pai que se sente excluído são expressões que poderão aparecer no jogo, devendo ser tratadas com respeito e cuidado. Muitas vezes, a autoimagem individual e na família, ou entre os colegas, pode ser completamente diferente e até antagônica, demonstrando um conflito de ambiente a ser trabalhado. O despertar da curiosidade entre os membros da família é o principal foco do jogo.

  1. PARA GRUPOS DE AMIGOS

Para grupos de adolescentes e adultos que já tenham um vínculo estabelecido, o jogo pode se tornar mais competitivo e racional, com escolhas de animais voltadas a características mais específicas e ao momento pelo qual cada um está passando.

Nesse sentido, aborda mais o entretenimento e a reflexão sobre as perspectivas de cada um que o trabalho com as relações pessoais. É importante, porém, ouvir o que o outro tem a dizer e tentar compreender. Essa é a chave para a vitória – quanto maior o entendimento sobre como os outros se sentem em cada ambiente, maior a chance de ganhar pontos.

Já nas três primeiras rodadas, as características vistas como negativas e positivas de cada jogador vão aparecer e devem ser observadas para que sejam associadas às cartas das rodadas seguintes. O jogo, portanto, pretende ajudar os participantes a pensar e falar sobre si, a interagir com outros de forma positiva e desenvolver amor próprio. Mesmo jogando para ganhar, é necessário que cada um esteja atento em como é visto e como vê os outros.

Referências:

Vieira, André Guirland, & Henriques, Margarida Rangel. (2014). A construção narrativa da identidade. Psicologia: Reflexão e Crítica27(1), 163-170